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Mensagem do dia

26 junho 2016

O TEMPO NÃO PERDOA.

           Morrer em vida é fatal
Nunca me esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”.
O repórter, provocador, insistiu: - “E depois?”.
- “Ué, depois vou aproveitar a vida”.

É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude.

No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos.
Não escondo que isso me amedronta um pouco.
Já cheguei na terceira idade, mas às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia  ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.

Rugas, tudo bem.
Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade.
A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos.
Ela pressupõe uma desaceleração gradativa:
Descer escadas de forma mais cautelosa,
ser traída pela memória com mais regularidade,

Ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista.

A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando.
A briga contra o olhar do outro.

Muitos se queixam da pior das invisibilidades:
“Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensamos: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa.

Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40.
Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.

Quem viu o filme “Fatal” deve lembrar-se do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude.

No livro que deu origem ao filme
(O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.

Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora.
O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.

Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz?
Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer.

Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada. 
Martha Medeiros.
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23 junho 2016

MAIS UMA VEZ AVÓ



Nesse belíssimo texto de Rachel de Queiroz, A ARTE DE SER AVÓ,  (que me perdoe à ousadia) sublinhei frases ou palavras que me chamaram mais á atenção, talvez por não conseguir acompanhar a linha do seu raciocínio.
 Vamos la...

Netos é como herança: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É como dizem os ingleses, um ato de Deus.
Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade, E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... (já tenho 65) você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências.
A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade.

Bracinhos de criança no seu pescoço.
Choro de criança.
O tumulto da presença infantil ao seu redor.

Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha.
Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido".
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de amá-lo com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.  São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo.
Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca".
Deixa lambuzar de pirulitos.
Não tem a menor pretensão pedagógica.
É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.
Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura.
Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina.
Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma.
Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol.
E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele.
Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?
Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...
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Pois bem: eu digo sempre que há tempo para tudo.....e cabe a nós o dever de apreciar e viver cada etapa com muita serenidade e sabedoria, para desfrutar de cada momento, os formadores da história de nossa vida.

Os filhos nos chegam como bênçãos de deus e consequentemente avós seremos, independente de sermos merecedoras ou não.
Chegam transformando vidas...modificado espaços...mas, eles crescem e da mesma forma se vão...deixando para traz o ninho vazio, afinal eles não são nossos, são do mundo... Vão desbravar novos caminhos em busca de conquistas e realizações de acordo com a sua vontade e personalidade.
Vez em quando retorna ao ninho, seu lugar de refugio abençoado, o “colo” da mãe, agora também do seu filho,para abastecer-se de 
novas energias retornando a luta diária com novos compromissos nesta outra fase da vida. Mais uma....

Ser avó é tudo de bom e não tem preço, mas nem por isso devemos deixar de trilhar caminhos que nos leva a viver novos amores, o despertar de novos interesse de acordo com a atual idade, afinal é outra etapa de vida, cheia de grandes expectativas e recomeço.

Não gosto muito dessa comparação de triangulo amoroso como a misturar ou mesmo diferençar, ou diminuir um sentimento que nasce no coração de uma mulher que antes de ser avó foi mãe tanto quanto a mulher do seu filho é agora.
O respeito mútuo prevalece.
Cada coisa a seu tempo...cada coisa no seu lugar.

Há o tempo de ser mãe... e tempo de ser avó.
Deveres iguais, direitos diferentes. 
Por isso “vó” é mãe com açúcar.
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18 junho 2016

AS MÃOS DO MEU AVÔ.

 Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado debilmente no banco do jardim, não se movia.
Estava cabisbaixo olhando suas mãos quando me sentei ao seu lado, e como não notou minha presença, e o tempo passava então lhe perguntei se estava bem. 
Não queria incomodá-lo, mas querendo saber como ele estava, tornei a perguntar como se sentia.

Levantou sua cabeça, me olhou e sorriu. “Estou bem, obrigado por perguntar”, disse com uma forte e clara voz.

Não quis incomodá-lo avô, mas estavas sentado aqui simplesmente olhando suas mãos... Quis ter certeza de que estivesse bem, lhe expliquei.

Meu avô me perguntou: “Alguma vez você já olhou suas mãos? Quero dizer, realmente olhou suas mãos?”

Lentamente soltei minhas mãos das de meu avô, as abri e as contemplei.
Virei as palmas para cima e logo para baixo.
Não, creio que realmente nunca as havia observado. Queria saber o que meu avô queria dizer-me. 
Meu avô sorriu, e me contou uma história.

Pare e pense um momento sobre como tuas mãos tem te servido através dos anos. Estas mãos, ainda que enrugadas, secas e débeis tem sido as ferramentas que usei toda a minha vida para alcançar, pegar e abraçar.

Elas puseram comida em minha boca e roupa em meu corpo.
Quando criança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração.
Elas amarraram os cadarços dos meus sapatos, e me ajudaram a calçar minhas botas.
Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas. Minhas mãos se mostraram inábeis quando tentei embalar minha filha recém-nascida.
Decoradas com uma aliança, mostraram ao mundo que estava casado e que amava alguém muito especial.

Elas tremeram quando enterrei meus pais e esposa, e quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento. 
Tem coberto meu rosto, penteado meu cabelo e lavado e limpado todo meu corpo.
Estas mãos são as marcas de onde estive e a dureza de minha vida.
Mas, o mais importante, é que são estas mãos que Deus tomará nas suas quando me levar a sua presença.

E até hoje, quando quase nada de mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar e a sentar, e se juntam para orar.

Desde então, nunca  mais vi minhas mãos da mesma maneira.
Mas lembro de quando Deus esticou Suas mãos e tomou as de meu avô e o levou a Sua presença.

Cada vez que vou usar minhas mãos penso em meu avô; na verdade nossas mãos são uma benção.
Hoje me pergunto:
O que estou fazendo com minhas mãos?
Estarei usando-as para abraçar e expressar carinho, ou as estarei brandindo para expressar ira e repulsa ao outros.
Hoje, demos graças a Deus por nossas mãos, somente aqueles que as tem sabem o valor que elas representam em nossas vidas.
Imagem = net
(Autoria desconhecida.
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E você, como está cuidando das suas mãos?
Elas são poderosas.

07 junho 2016

DISSE ....ME DISSE.

Diante de tanto disse e me disse que ecoa em todos os veículos de comunicação, o Brasil abriga agora um bando de dedos duros, além dos ladrões....Corruptos... malfeitores...
vagabundos...e todos os adjetivos imagináveis que o povo de lá, do mundo lá de fora, tem como imagem de um povo que está sofrendo por conta de uma má gestão governamental. Mais uma....

A verdade é que me sinto tão enojada sobre a situação em que nós estamos envolvidos que resolvi não mais falar sobre, mas, o país está entregue nas mãos de homens de má vontade, descompromissado com a paz mundial, desprovidos de sentimentos cívicos, onde o verde e amarelo já não é símbolo de patriotismo para todos aqueles que embolsam as verdinhas de maneira impudica e desavergonhada.

Em uma redação escolar uma adolescente falou assim do Brasil.

Certa noite ao entrar em minha sala de aula vi em um mapa-múndi, o nosso Brasil chorar:
O que houve meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: 
Estou sofrendo....Vejam o que estão fazendo comigo...
Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores.
Meu povo era heroico e os seus brados retumbantes. 
O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante.
Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?

Eu era a Pátria amada, idolatrada....
Havia paz no futuro e glórias no passado...
Nenhum filho meu fugia à luta...
Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil...
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado, e pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes?
Pensei mais... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala, e encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.

Pois é....continua chorando pelos cantos, junto com seus filhos verdadeiros, clamando que a mão da justiça de Deus se faça presente no momento em que uma BASTA ecoe em todos os meios de comunicação, fazendo brilhar no céu azul o arco Iris da salvação.  

Que Deus abençoe á todos.  
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01 junho 2016

MAIS UMA PRIMAVERA.

Acordei hoje pela manhã..lá pelas cinco horas, como de costume, e nas minhas orações matinais, agradeci a DEUS, pela oportunidade de viver mais um dia para realizar as tarefas diárias que a própria vida nos impõe como...cantar, dançar, perdoar, amar, agradecer, trabalhar, louvar, orar, estudar, aprender...como meios de nos tornar pessoas melhores, tanto  para nós mesmos, como também fazer por merecer a companhia de pessoas especiais ao nosso redor, como familiares, amigos, camaradas, enfim, os chamados companheiros de jornada.

Confesso que contar a passagem do tempo nos seus 65 anos e fazer deles uma parte da minha vida, fico pensando se o tempo está inserido na minha vida, ou eu com o meu tempo já vivido estou inserida no tempo já passado.
Complicado, não é?

Pois é....fazer do tempo um aliado no auge dos meus completos 65 anos, é procurar um companheiro sábio, um grande administrador do que estar por vir, o meu desconhecido futuro, que por exigência própria, requer atenção especial mediante ações preventivas na questão pessoal, física, mental, social, econômica, enfim tudo que diz respeito a uma boa chegada no fim da corrida.   
Há muitos que chegam ao fim da jornada, tão ignorantes como no início dela. Vigilância total e sempre.

O percurso nem sempre foi em linha reta da onde pode se ver o horizonte.  Nas curvas dos caminhos, surpresas, armadilhas, subidas e descidas íngremes e dolorosas nos morros da ignorância, na falta de orientação, de atitudes impensadas, perdas incomensuráveis, mas no cair e levantar das nossas próprias inquietações e medos, ressurgir das cinzas é uma vitória sem precedentes, quando diante dos olhos se vê que no meio desse deserto, lá estava um oásis cheio de amor e atenção, cercado por familiares e amigos, onde a arte da amizade foi cultivada como planta rara á espera de se fazer presente.

Assim o dia amanheceu hoje em festa, não só pela marcação, mais uma no calendário da minha existência, mas pela grandiosidade do momento em que DEUS me deu como benção, o direito e o dever de estar aqui agora....
hoje...ainda...por enquanto e sempre.
Com certeza que estaremos sempre vivos nos corações de todos aqueles que nos ama e lembra-se de nós.

Fico agradecida pelas mensagens enviadas, lembrando que alegremente usarei o tema a seguir como uma trajetória pré-estabelecida de conscientização da minha nova idade.

                TEMA: EU ENVELHECI

Um dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha.   Levei um susto, porque eu não me vejo como uma velha.  Ao notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ela.

Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser. Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos.
E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro muito com isso.

Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco, uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes.
Tornei-me amiga de mim mesma.
Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. 
Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?

Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e se, de repente, chorar lembrando alguma paixão daquela época, poderei e vou chorar mesmo!  

Andarei pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.

Eles, também, se conseguirem, envelhecerão.

Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se puder perdoar.  Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos.

E das coisas importantes, eu me recordo frequentemente.

Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito.  
Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre, ou quando um animal de estimação  é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão.

Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais.
Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações.

Assim, respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: "Eu gosto de ser velha".
Libertei-me!
Gosto da pessoa que me tornei.

Não vou viver para sempre, mas enquanto estiver por aqui, não desperdiçarei meu tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá.

E comerei sobremesa todos os dias e repetirei, se assim me aprouver...
E penso que nunca me sentirei só.

Sou receptiva e carinhosa, e se amizades antigas teimam em partir antes de mim, outras novas, assim como você, vêm a mim, buscar o que terei sempre para dar enquanto viver: Experiência e muito amor...
Autoria desconhecida.

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Meu agradecimento carinhoso á todos os companheiros de jornada, blogueiros...facebokeiros...que estão sempre presentes, todos juntos e misturados no mesmo trem azul da minha vida. Abraços.


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