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Mensagem do dia

30 setembro 2016

Geração acomodada

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Dedicamos-nos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. 

Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.  

Marina Melz
Em 30 de setembro de 2016

27 setembro 2016

Entendendo o meu, o seu voto.

Na democracia, pela democracia o sistema eleitoral brasileiro garante ao cidadão a soberania e a livre expressão na escolha dos seus representantes no mundo político, em seus plenos poderes.
Através do seu voto fica garantido um direito de escolha, manifestação fundamental para que seja expressa a sua vontade de acordo com seus ideais e convicções.
Pela constituição atual existem normas e procedimentos nos dois sistemas que funcionam sob o direito penal eleitoral: o majoritário e o proporcional.

No sistema eleitoral majoritário vence o candidato que obtiver a maioria dos votos, aplicados na escolha dos chefes do Poder Executivo e os senadores.
Mas não tão simples assim, pois esse sistema subdivide-se em simples e em dois turnos.
O sistema eleitoral majoritário simples, independentemente de ter alcançado a maioria dos votos, o candidato já estará eleito. Enquanto que o sistema majoritário em dois turnos, o candidato só será eleito se obtiver a maioria absoluta dos votos válidos.

Você já ouviu falar em ao quociente eleitoral. 
Eu não sabia. 
Fui lá viajar na net e buscar conhecimento.

Ele estabelece o seguinte; é um cálculo matemático baseado na obtenção do número total de votos válidos, dividido pelo número de vagas em disputa.
Número de votos recebidos  & quantidade de cadeiras.
Fica claro que com essa divisão a possibilidade de um candidato não escolhido pelo eleitorado seja beneficiado pelo sistema de calculo. “Melhor dizer: vota-se em um candidato e acaba-se contribuindo para eleger alguém que não se conhece”.
Fazer o que, não è? Quanta esperteza....

           E o sistema proporcional?
Ah! Esse tem duas formas de ser na escolha dos candidatos:
o escrutínio de lista (aberta e fechada) e o voto de legenda.
Ufá... ainda não acabou. Vamos lá.
O escrutínio de lista (aberta), exame que se faz minuciosamente, será eleito os que forem mais votados.
O escrutínio de lista (fechada) é eleito os candidatos que estiverem colocados  nas primeiras posições da referida lista.

Ainda tem o voto de legenda que é dado ao partido e não ao candidato. Portanto o eleitor fica sem saber quais candidatos podem ser eleitos com seu voto.
Interessante não.
Pois é...assim que funciona a coisa.
Pensa que acabou.
Ainda não.
                           Então fica assim:
1 - para presidente, governador, prefeito e senador seguem o sistema majoritário.
2 - para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, o sistema utilizado é o proporcional com lista aberta.
                            E o voto distrital.
                                Que sabe dele?
Digo lá que o candidato é escolhido pelo partido e é eleito o mais votado. Esse é o sistema distrital puro, pois ainda sofre influencia dos sistemas majoritário e o proporcional. Aqueles que falamos acima.

Diante disso podemos dizer que o Brasil tem dois sistemas eleitorais e para saber mais... disponível no site= www.institutoideias.org.br:

1 -  Sistema majoritário simples: Eleições para Senadores(art. 46, CF/88), Prefeitos de Municípios com até duzentos mil eleitores (art. 29, II, CF/88);

2 - Sistema Majoritário em dois turnos: Presidente da República (art. 77, CF/88), Governador do Estado ou do Distrito Federal (art. 28, CF/88), Prefeitos de Municípios com mais de duzentos mil eleitores (art. 29, CF/88).

3 – E o sistema proporcional de lista aberta: Eleições para Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador (CF, art. 45, 27, §1º e 29);
O sistema eletrônico de votação foi implantado pela primeira vez em 1996, quando das eleições municipais, e foi garantido que esse modelo seguramente estaria inviolável á fraude e a corrupção, mostrando a verdadeira vontade do eleitorado colocando na tribuna a sua voz através de seus representantes legitimamente eleitos de acordo com suas consciências, agimos assim por obrigatoriedade. É o que rege a constituição.  E tudo isso em nome da democracia.

E aí vai votar em quem?
Vai votar no seu candidato e quem vai ser eleito será o outro, e ainda vai ajudar outro partido adversário ao seu. Eta...grande votação.

Tirando duvidas sobre o voto branco ou voto nulo, o TRE.(tribunal regional eleitoral) afirma que  os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados, representa apenas uma manifestação do povo no sentido de não querer participar ou de mostrar-se insatisfeito pela  obrigatoriedade ou como protesto.
 Pois é....é tudo isso e muito mais. 
E vamos que vamos, rumo às urnas no próximo domingo. Boa sorte. 


25 setembro 2016

Eu e minha visão politica.

As eleições municipais se aproximam e em um espaço de dias, mas precisamente em 2018, a eleição para o comando geral da nação.
Externar uma opinião sobre os últimos acontecimentos políticos torna-se difícil, pois o país (Brasil) dos homens de bem dorme, enquanto que o mundo dos maus (congresso nacional) manipula... Criando leis em beneficio próprio.
É onde tudo se cria e se transforma a cada madrugada.
E quando no amanhecer uma punhalada nova, fazendo com que  o povo se sinta frustrado, desesperançado em ver uma mudança real no sistema político brasileiro.

Seria muito bom que o povo brasileiro soubesse o que realmente quer.
Não muito distante ouvia-se “fora Dilma”....logo depois...
“ fora Temer, agora “ eleições já”. 
Pergunta que não quer calar: eleições agora não seria trocar seis por meia dúzia?
Afinal os candidatos à presidência da república também estão comprometidos e sendo investigados pela operação lava a jato, a qual quanto mais avança mais podridão encontra debaixo do tapete onde são escondidas as ações corruptas ao longo dos anos.

Bom... Vamos nos concentrar nas eleições de agora. 
Só a prefeitura de Salvador tem 7 candidatos a uma vaga, e baseados em dados eleitorais temos uma População de 2 921 087 e eleitores: 1 948 154 podendo ter 2º turno.
Para vereador tem 1004 candidatos para 43 vagas em uma população de2 921 087 e eleitores 1 948 154.

Pois é ....veja quanta gente fazendo da sua estadia (temporária) no governo uma profissão.
Interessante.... Qual a sua profissão?  Vereador.
Seria funcionário público? Afinal foi escolhido para  produzir benfeitorias para a sociedade onde foi inserido.

Estamos vivendo um período histórico, como é costume falar, mas além de histórico é dramático por conta das manobras que são feitas nas caladas  dentro do congresso nacional, enquanto o povo lamentavelmente sofre as consequências.
Observa-se que a maioria da população vem tomando consciência do seu poder de decisão nas urnas e nas manifestações que acontecem sempre quando se veem acuados e gritam palavras de ordem.
Fico pensando que se não houver uma limpeza real nas dependências mentais (consciências) dos que aí estão e o verdadeiro comprometimento dos que estão chegando, é obvio que  continuaremos marionetes nas mão dos que quer que seja.

Os historiadores escreverão o que de fato aconteceu e o que está para acontecer? Ainda há muitos podres a ser desvendados e muitos desfechos por vir.

Oh! Dúvida cruel.......E vergonhoso e constrangedor para um povo trabalhador, cumpridor dos seus deveres, que consegue viver com um salário mínimo indecente perante aos milhares e milhões retirados dos cofres públicos (lavados, roubados) ter que ler nos futuros livros a triste, imoral história do seu país.
A próxima geração saberá como encarar os fatos ocorridos diante de tanta falta de ética?
A moral da classe política está abaixo de zero.

Os escândalos políticos têm remanejando militantes jovens de um determinado partido, herdeiros dos anos 2013, para outros onde a juventude se faz mais presente nas ruas nos dias atuais, para dizer basta a corrupção. Não aguentamos mais.  
Pois bem....em breve teremos a oportunidade de mostrar que podemos mudar uma situação, assumindo o papel de eleitor consciente, honesto com as nossas próprias convicções e ideias.
Sei que é difícil pensar em quem melhor nos representaria diante de tantas promessas “incumprivéis”, mas a democradura diz que somos obrigados a votar, mesmo sabendo que continuaremos na mesma merda.

Democracia seria se essa obrigatoriedade fosse revogada dando o direito ao eleitorado decidir  de acordo com a sua consciência. Votar ou abster-se do voto. Isso sim.
E aí quem votaria neles?

Ultimamente estou me distanciando de muitos noticiários políticos, pois a cada um deles fico mais triste e enojada com a conduta do ser canalhocrata político em versão de gente.
Então minha gente amiga, vamos pensar honestamente em votar, já que somos obrigados, em quem realmente merece está lá, o que menos sofre influencia da corrupção.
O homem e corruptível. O sistema político é corruptor.
E vamos que vamos. A luta continua companheiro.

24 setembro 2016

Bons conselhos.

Pra viver melhor...
Pra viver melhor...
Não se preocupe,  se ocupe.
Ocupe seu tempo, ocupe seu espaço, ocupe sua mente.
Não se desespere, espere.
Espere a poeira baixar, espere o tempo passar, espere a raiva desmanchar.
Não se indisponha, disponha.
Disponha boas palavras, disponha boas vibrações, disponha sempre.
Não se canse, descanse.
Descanse sua mente, descanse suas pernas, descanse de tudo.
Não menospreze, preze.
Preze por qualidade, preze por valores, preze por virtudes.
Não se incomode, acomode
Acomode seu corpo, acomode seu espirito, acomode sua vida.
Não desconfie, confie.
Confie no seu sexto sentido, confie em você, confie em Deus.
Não se torture, ature.
Ature com paciência, ature com resignação, ature com tolerância.
Não pressione, impressione.
Impressione pela humildade, impressione pela simplicidade, impressione pela elegância.
Não crie discórdia, crie concórdia.
Concórdia entre nações, concórdia entre pessoas, concórdia pessoal.
Não maltrate, trate bem.
Trate bem as pessoas, trate bem os animais, trate bem o planeta.
Não se sobrecarregue, recarregue.
Recarregue suas forças, recarregue sua coragem, recarregue sua esperança.
Não atrapalhe, trabalhe.
Trabalhe sua humanidade, trabalhe suas frustrações, trabalhe suas virtudes.
Não conspire, inspire.
Inspire pessoas, inspire talentos, inspire saúde.
Não se apavore, ore.
Ore a Deus, ore aos santos, ore às forças e as energias.
Somente assim viveremos dias melhores.

Então não perca tempo, aproveite seu tempo!

19 setembro 2016

Nos braços do velho chico.

Ah! O velho Chico levou o santo.
O santo palhaço,
O santo ator,
O santo família,
O santo amigo.

O velho queria por companhia uma alma boa e levou o santo, que não era santo, mas virou santo por que o santo Francisco o tragou interrompendo uma trajetória de sucesso e alegrias.
Nas profundezas de suas águas belas se escondem muitos mistérios e perigos e nela agora repousa a memória de um homem que só na intimidade  televisiva nos fazia rir e chorar todas as noites quando invadia nossas casas sem pedir licença. Não precisava.

Ah! O secular Chico levou uma bela espécie da raça humana, cheio de adjetivos bons tanto quanto o próprio rio.
E Lá nas suas margens a sua estrela, a estrela do santo, apagou na sua derradeira viagem no rio  Francisco que o abraçou e o levou na sua correnteza para uma morte tão estúpida e absurda, mas que está presente nas nossas vidas.

Ah! O velho Chico...com tantas belezas escondidas nas suas águas cristalinas e em constantes movimento.
 Ele não para......vive sendo reverenciado pela própria natureza com  seus redemoinhos em um espetáculo bonito de se ver.
E foi em um desses que o velho Chico carregou o santo.
Minha homenagem ao ator Domingos Montagner.

18 setembro 2016

O tempo passou e nada mudou.

                      
                               Sinto vergonha de mim!
Por ter sido educador de parte desse povo,
Por ter batalhado sempre pela justiça,
Por compactuar com a honestidade,
Por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,  
a ausência da sensatez no julgamento da verdade,  
a negligência com a família, célula-mater da sociedade,  
a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”, voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim,
pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha
impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!  Cleide Canton.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.


As  palavras destacadas em cor vermelha são de  Ruy Barbosa, em um discurso feito no senado federal em 1914,  completa os versos de Cleide, e nos  leva a refletir , mesmo de  ter  passado muitos anos, continuam nos mostrando de que nada mudou.

16 setembro 2016

Ninguém Prepara Os Filhos Para o Envelhecimento dos Pais

Sabem quando a preocupação é tanta que nem conseguimos chorar? Quando o sentimento de impotência se sobrepõe a qualquer lágrima narcisista que naquele momento nos diz que nada mais importa a não ser a pessoa que temos à nossa frente, naquela cama de hospital? A roupa para passar a ferro pode esperar, o jantar pode esperar, o Mundo pode esperar.

E à nossa frente encontra-se aquela pessoa de olhos vidrados, sem reação, numa fugaz memória da mulher forte que uma vez foi. Continua a ser a mesma pessoa, sem ser a pessoa que era. 
Qualquer pergunta que fazemos, fazemo-la sem grandes expectativas de obter resposta, apenas para conforto próprio de que estamos de fato ali. 
No quarto ao lado ouvem-se os gritos duma qualquer outra mulher desdentada e desesperada, toda ela dores e doenças. 
Para mim, qualquer outra mulher, mas para outra pessoa, também ela a razão pela qual nem se consegue chorar de tanta preocupação.

É costume dizer-se que nada nos prepara para sermos pais, que são os filhos que nos ensinam a serem pais. 
Mas o que não nos ensinam mesmo é a sermos filhos de pais envelhecidos. 
Queremos salvá-los deles próprios, impedir que o corpo ceda mais rápido que a cabeça, ou que a cabeça ceda mais rápido que o corpo, mas não há como.

E o tempo passa a correr. 
O meu pai já nem parece o mesmo. 
Também ele não chora de tanta preocupação. 
A mulher com quem passou a vida toda, a quem prometeu amar na saúde e na doença, ali está, doente. 
E ele, a ficar doente sugado pela doença da mulher que ama, mas que já não reconhece. 
Quando o amor passa a pura e constante preocupação torna-se numa forma estranha de amar, e o desespero leva-o a fazer coisas irreconhecíveis. 
Também ele é a mesma pessoa sem ser a pessoa que era. 
Muito mais magro, muito mais pálido, muito mais triste. 
E nada nos prepara para isso.

No hospital, outras pessoas esperam umas mais preocupadas, outras mais aliviadas. 
As ambulâncias vão chegando, uns choram, outros gritam, outros olham o vazio, e há sempre quem esteja a tentar perceber o que é que se passou com cada um deles. 
Quem morreu, quem não morreu. 
Esta é a dinâmica da sala. 
Não há conversa de ocasião que se possa fazer, não importa o tempo, a política, futebol ou religião. 
Importa apenas aquela pessoa que amamos e que queríamos recuperar, voltar a vê-la, forte e saudável como ela era.

O mais triste é quando chega o luto antecipado. 
Aquela réstia de esperança que na verdade já nada espera. 
É quase como que aguardar pela autorização de poder chorar. 
E pior de tudo é saber que, quando a barragem que contem as nossas lágrimas finalmente rebentar e estas correrem incontroláveis pelo nosso rosto abaixo, sabermos que choramos em pranto num misto de tristeza e alívio. 
Isso é o mais triste, a noção de que a pessoa está melhor assim, inexistente enquanto que nós, os que continuam mortais, aqui ficamos, na merda.

Nunca ninguém nos preparou para isto, nunca a sociedade se preparou para isto. 
O nossos líderes falam em envelhecimento ativo e saudável, mas falam por ocasião, não por genuína preocupação, porque na verdade a forma como olham e tratam os velhos poucos lhes importa. Importa-lhes não terem dores de cabeça ou escândalos que possam manchar as suas ambições políticas. 
Vemos isso quando estamos desesperados, no corredor das urgências, tudo é treta.

A forma como as pessoas são tratadas não difere muito da maneira como se tratam os refugiados. 
Agregam-se as pessoas idosas e doentes todas num sítio comum e estas passam a ser apenas mais um nº para as estatísticas, onde ninguém realmente se importa a não ser a própria família, e por vezes nem isso.

 REVISTA REVIVER

05 setembro 2016

Os salvadores da Dilma.

Essa eu não podia guardar só para mim. Brincadeirinha. O mundo inteiro já sabe. Acontece é que nós os brasileiros somos os últimos.
Vou contar.
Ao virar da página começamos uma nova história. Certo?
Pense..Não é bem assim. Começamos outro capitulo. Apenas mais um até completar a história. . E essa para chegar ao fim ainda tem um longo caminho a percorrer.

Nesse caso a história continua a mesma, os mesmos personagens, uns mostrando-se publicamente, outros nem tanto, mas o teatro é o mesmo, a peça é que sofreu alguns  ajustes de conduta por parte de seus personagens, em acordo com a nova realidade de interesses baseados no salva guarda da banda podre que camuflada e escondida nos porões dos palácios e mansões tramam...evocam o mal, para dar continuidade ao processo de apresentação no palco devidamente estratégico onde a plateia só enxerga o que os atores  determinam.

Como brasileiro tem como profissão a esperança, pensamos sempre que para amenizar as decepções políticas, ainda dá tempo de arrumar a casa, mesmo que o desafio seja grande e o caminho longo.
A cada dia que passa depois do impeachment, o povo brasileiro através dos noticiários, fica sabendo das manobras que foram feitas ás escondidas, afrontando a até a própria constituição federal, no sentido de fazer valer a imoralidade de ações, e o desrespeito a sociedade, que  ainda chocada com os últimos resultados, saem ás ruas em mobilidade expressiva, agora em tom diferente de revindicação, antes Dilma... agora Temer e entre aplausos e vaias, busca.......um jeito de sair dessa situação crítica e vergonhosa.
Compartilho com você noticias não tão quentinhas, pois tudo isso foi tramado muito antes do que pensamos, em relação a sessão  do impeachment no dia 31 de agosto.  

Nas minhas andanças pela net achei no blog do Josias de Souza, achei um material vasto sobre o que realmente aconteceu. 
Resumidamente lá vou eu contar.
Segundo  os noticiários o  autor da tese jurídica do fracionamento do impeachment é o Senador João Costa Ribeiro Junior.
A senadora Kátia Abreu  que juntamente com um advogado, e mais o senador João costa, atuaram para salvar os direitos políticos da amiga Dilma Russef temendo que a mesma ficasse desempregada igual a 12 milhões de brasileiros. 
União estável entre PMDB+PT.
Pelo seu histórico desempenho no fatídico evento, o nome da senadora pode estar chapado em 2018 como vice de Luis Inácio da silva, aquele que chamamos de Lula.
Vou contar o que circula na internet de maneira que possa chegar ao conhecimento de todos, principalmente os brasileiros que se sentem enganados ...traídos ....usados ...e são os últimos a saber agindo que nem marido traído.

Nove dias antes do impeachment, mais precisamente no dia 22 de agosto, a senadora Kátia Abreu mais seguidores estiveram  com o ministro Ricardo Lewandowski, para informar  que os admiradores   da presidente afastada Dilma Roussef, apresentariam aos 45 minutos do segundo tempo do julgamento do impeachment  uma manobra para preservar a vida pública da amiga, fracionando a votação em dois episódios distintos aliviando à “golpeada” Dilma e assim ocupar funções públicas mesmo depois de deposta.
Conseguiram dobrar o ministro Lewandowski que até então não cogitava realizar senão  votação única no julgamento do impeachment.

Sabe o que reza a constituição no artigo único de número 52?
Lê-se que “Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.”

Pois bem... Saindo  dos porões uma nova possibilidade de passar pelo regimento interno do Senado, o DVS (destaque para votação em separado) que  pela Lei 1.079, permite  a votação em fatias, e convencida e induzida pelo  autor João costa, Katia Abreu,  procurou a presidente afastada Dilma roussef no palácio da alvorada para comunicar que existia uma luz no final do túnel , mesmo tendo que admitir que a condenação era mesmo inevitável, concordou em a dar sequência á estratégia, em companhia de José Eduardo Cardozo, o advogado petista de Dilma, firmando assim um pacto político sigiloso, uma carta na manga, agora também chegando a vez do maior articulador presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) que cheio de entusiasmo aplaudiu de pé tamanha insensatez fraseando “A Dilma merece que a gente faça isso por ela”

Enfim o dia tão esperado... Lewandowski trazia consigo debaixo do braço o livramento de Dilma. 
Tão convicto estava que não houve perguntas que não fossem respondidas no ato, sem nenhuma dúvida sequer. Durante a sessão,  a cada pergunta tinha um escrito a disposição.

Vou contar o porquê das respostas na ponta da língua.

Deve-se a Luiz Fernando Bandeira, um dos principais assessores de Renan, que ouviu e seguiu a risca orientação do presidente do supremo, que  estudasse o assunto e extraísse tudo que pudesse ajudar no processo da Dilma.
E assim foi feito.
E diante das câmaras do senado no dia 31 de agosto o defensor das causas perdidas Renan Calheiros disse que ''No Nordeste, costumamos dizer uma coisa: 'Além da queda, coice'. Não podemos deixar de julgar, mas não podemos ser maus, desumanos. ''
Ele é tão bom quanto ela.
Também se diz que entrar e sair de algum lugar, independente de onde quer que seja, é uma questão de respeito e confiança. 
Entrou limpo... Saiu sujo.

E tudo sob as barbas de Lewandowski foi consumado.

É interessante pensar que os elogios que foram dispensados ao Senhor ministro durante todos os dias do processo,  pelo pulso forte com que conduziu as sessões ,foram destituídos em poucos minutos por  tão poucas palavras.
Prevalece na cabeça de cada um a sua verdade, não de um modo geral quando se trata de usufruir em beneficio próprio.
Pense que todos já sabiam do que já estava rolando nos bastidores do congresso, inclusive o atual presidente da republica ter conhecimento duas semanas antes, menos o povo brasileiro, que se sentou frente a um aparelho de TV, inclusive eu, para assistir a mais uma degradação moral com direito a falta de ética e respeito.
Diga aí você o que acha de tudo isso e pense que se aproximam novas eleições. Sabia disso? Eu não tinha certeza. Sob o céu do Estado Brasileiro e o olhar não tão simpático da sociedade, paira o ar da desconfiança em todos os aspectos políticos.
Aconteceu na Casa da dinda em  1992 e  na Casa da Dilma em 2016 em um intervalo de 24 anos.
E a luta continua companheiro.
Não pense que acabou.
Até o próximo capítulo.

 https://phenixbittencourt.blogspot.com
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