Mensagem do dia

01 outubro 2016

Testamento de uma avó

                                    Queridos netos,
A  Vó não sabe brincar com vocês, porque só sei brincar de passado e vocês só sabem brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando vocês começarem a brincar de esperança.

Mas antes que eu me torne apenas um retrato na parede, uma referência dos meus entes queridos ou até uma lágrima de minha filha, quero lhes dizer uma coisa que considero muito importante para os seus momentos de dúvida.
Porque eles ocorrerão e todos serão preciosos.

Quero lhes dizer, queridos netos, o que vale a pena.
- Vale a pena crescer e estudar.
- Vale a pena conhecer pessoas, ter namorados e namoradas,  sofrer ingratidões, chorar algumas decepções e- apesar de tudo isto (ou por causa de tudo isto) - ir renovando todos os dias sua fé na bondade essencial da criatura humana e o seu deslumbramento diante da vida.

- Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga recompensa, que não há livro que não traga ensinamento, que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar, que, se formos bons observadores, aprenderão tanto com a obra do sábio quanto a vida do ignorante.

- Vale a pena ver que toda a amargura nos deixa reflexão, toda tristeza nos deixa a experiência e toda alegria nos enche a alma de paz.

- Vale a pena casar e ter filhos. Filhos que nos escravizam com seu amor e nos concedem a felicidade de tê-los junto a nós e vê-los crescer.

Filhos que, ao crescerem um pouco, já discutem conosco, acham que sabem bem mais que nós ( e às vezes sabem mesmo) e nós aprendemos com eles.

--Vale a pena viver estes assombrosos tempos modernos em que os milagres acontecem ao virar de um botão, em que se pode telefonar da terra para a lua, lançar sondas espaciais, máquinas pensantes, à fronteira de outros mundos. E descobrir que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar a chegada da primavera.

- Vale a pena viver, mesmo com todas as limitações a que o ser humano está sujeito, quando lembramos que o surdo vê a luz do sol, que o cego ouve a música das coisas, que o mendigo sonha com as estrelas, que não precisamos de todos os sentidos para participar do esplendor da criação.

- Vale a pena mesmo sabendo que vocês verão coisas que eu nunca vi, assim como vejo coisas que meus pais não viram, e meus pais viram coisas que meus avós não viram.

- Vale a pena, certamente- o saber acumulado dos cientistas e especialistas que revelarão coisas que a mim não foram reveladas.

Pode ser que vocês conheçam seres vindos de outros planetas, o que para mim é teoria e especulação, assim como a televisão e outras invenções foram teoria e especulação para meus avós já falecidos.

- Vale a pena, mesmo quando vocês descobrirem que tudo isso que estou mencionando é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática e cada um tem de aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.

- Vale a pena até mesmo envelhecer como eu e ter netos como vocês, que me devolveram a infância e a juventude.
- Vale a pena mesmo que eu parta e suas lembranças de mim se tornem vagas. 

Mas quando outros disserem coisas boas de seus avós, espero que vocês possam dizer de mim simplesmente isto:
"Minha avó foi aquela que me disse que valia a pena....E não é que ela tinha razão?"
Desconheço a autoria
 Hoje ...dia 01 de outubro. Dia internacional do idoso.

30 setembro 2016

Geração acomodada

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Dedicamos-nos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. 

Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.  

Marina Melz
Em 30 de setembro de 2016

27 setembro 2016

Entendendo o meu, o seu voto.

Na democracia, pela democracia o sistema eleitoral brasileiro garante ao cidadão a soberania e a livre expressão na escolha dos seus representantes no mundo político, em seus plenos poderes.
Através do seu voto fica garantido um direito de escolha, manifestação fundamental para que seja expressa a sua vontade de acordo com seus ideais e convicções.
Pela constituição atual existem normas e procedimentos nos dois sistemas que funcionam sob o direito penal eleitoral: o majoritário e o proporcional.

No sistema eleitoral majoritário vence o candidato que obtiver a maioria dos votos, aplicados na escolha dos chefes do Poder Executivo e os senadores.
Mas não tão simples assim, pois esse sistema subdivide-se em simples e em dois turnos.
O sistema eleitoral majoritário simples, independentemente de ter alcançado a maioria dos votos, o candidato já estará eleito. Enquanto que o sistema majoritário em dois turnos, o candidato só será eleito se obtiver a maioria absoluta dos votos válidos.

Você já ouviu falar em ao quociente eleitoral. 
Eu não sabia. 
Fui lá viajar na net e buscar conhecimento.

Ele estabelece o seguinte; é um cálculo matemático baseado na obtenção do número total de votos válidos, dividido pelo número de vagas em disputa.
Número de votos recebidos  & quantidade de cadeiras.
Fica claro que com essa divisão a possibilidade de um candidato não escolhido pelo eleitorado seja beneficiado pelo sistema de calculo. “Melhor dizer: vota-se em um candidato e acaba-se contribuindo para eleger alguém que não se conhece”.
Fazer o que, não è? Quanta esperteza....

           E o sistema proporcional?
Ah! Esse tem duas formas de ser na escolha dos candidatos:
o escrutínio de lista (aberta e fechada) e o voto de legenda.
Ufá... ainda não acabou. Vamos lá.
O escrutínio de lista (aberta), exame que se faz minuciosamente, será eleito os que forem mais votados.
O escrutínio de lista (fechada) é eleito os candidatos que estiverem colocados  nas primeiras posições da referida lista.

Ainda tem o voto de legenda que é dado ao partido e não ao candidato. Portanto o eleitor fica sem saber quais candidatos podem ser eleitos com seu voto.
Interessante não.
Pois é...assim que funciona a coisa.
Pensa que acabou.
Ainda não.
                           Então fica assim:
1 - para presidente, governador, prefeito e senador seguem o sistema majoritário.
2 - para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, o sistema utilizado é o proporcional com lista aberta.
                            E o voto distrital.
                                Que sabe dele?
Digo lá que o candidato é escolhido pelo partido e é eleito o mais votado. Esse é o sistema distrital puro, pois ainda sofre influencia dos sistemas majoritário e o proporcional. Aqueles que falamos acima.

Diante disso podemos dizer que o Brasil tem dois sistemas eleitorais e para saber mais... disponível no site= www.institutoideias.org.br:

1 -  Sistema majoritário simples: Eleições para Senadores(art. 46, CF/88), Prefeitos de Municípios com até duzentos mil eleitores (art. 29, II, CF/88);

2 - Sistema Majoritário em dois turnos: Presidente da República (art. 77, CF/88), Governador do Estado ou do Distrito Federal (art. 28, CF/88), Prefeitos de Municípios com mais de duzentos mil eleitores (art. 29, CF/88).

3 – E o sistema proporcional de lista aberta: Eleições para Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador (CF, art. 45, 27, §1º e 29);
O sistema eletrônico de votação foi implantado pela primeira vez em 1996, quando das eleições municipais, e foi garantido que esse modelo seguramente estaria inviolável á fraude e a corrupção, mostrando a verdadeira vontade do eleitorado colocando na tribuna a sua voz através de seus representantes legitimamente eleitos de acordo com suas consciências, agimos assim por obrigatoriedade. É o que rege a constituição.  E tudo isso em nome da democracia.

E aí vai votar em quem?
Vai votar no seu candidato e quem vai ser eleito será o outro, e ainda vai ajudar outro partido adversário ao seu. Eta...grande votação.

Tirando duvidas sobre o voto branco ou voto nulo, o TRE.(tribunal regional eleitoral) afirma que  os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados, representa apenas uma manifestação do povo no sentido de não querer participar ou de mostrar-se insatisfeito pela  obrigatoriedade ou como protesto.
 Pois é....é tudo isso e muito mais. 
E vamos que vamos, rumo às urnas no próximo domingo. Boa sorte. 


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