Mensagem do dia

27 setembro 2017

Eu acho que não só eu, mas, vez em quando visitamos caixas...baús... em busca por  valores guardados, e a gente sempre tem alguma coisa, não é verdade?  em uma dessas minhas futucanças, achei uma relíquia em papel já amarelado pelo tempo, datado 15 de julho de 1979, um escrito sem autor definido e por curiosidade, eu resolvi verificar quem seria o dono da obra. E lá se vão janeiros....

Pois bem... Surpresa... Seria Vinicius de Morais ou Carlos Drummond de Andrade? Você sabe me dizer?
                  
                                         Procura-se um Amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.Pode já ter sido enganado, 
pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender 
o imenso vazio dos solitários. 
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, 
que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. 
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, 
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. 
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de 
memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
 mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência 
de que ainda se vive.

E aí...sabe de quem é?
Amigos é sempre bom e bem vindo. Não é verdade?
É coisa de se precisar sempre.

24 setembro 2017

Dentro de um livro tem...

                       Você sabe o que tem dentro de um livro?
 Hum, Você certamente dirá... Ah!  Conteúdo diversificado... Linguagem diferente... Infinidade de histórias... Contos... Poesias.  Sim, é verdade. Mas, tem muito mais do que isso.

Eu digo que existe um lugar chamado imaginação, onde mora todos os sentimentos que com o passar do tempo viajam , alojando-se em corações inspirados e quando nascem transformam vidas, marcam épocas, dividem o mundo no antes e no depois.

Então vejamos...  Dentro de um livro tem...

Tem partida, tem estrada, tem caminho, tem procura, tem destino, lá dentro de um livro tem...

Tem princesa, tem herói, tem fada, tem feiticeira, tem gigante, tem bandido, lá dentro de um livro tem...

Quanto mito, quanta lenda, quanta saga, quanto dito, quanto caso, quanto conto, lá dentro de um livro tem...

Tem tragédia, tem comédia, tem teatro, tem poesia, tem romance, tem suspense, lá dentro de um livro tem...

Tem passado, tem presente, tem futuro, tem moderno, tem o velho, tem o novo, lá dentro de um livro tem...

Tem verdade, tem mentira, tem juízo, tem loucura, tem ciência, tem bobagem, lá dentro de um livro tem...

Tem estudo, tem ensino, tem lição, tem exercício, tem pergunta, tem resposta, lá dentro de um livro tem...

Quanta regra, quanta norma, quanta lei, quanta moral, quanta ética, quanto exemplo, lá dentro de um livro tem...

Quanta ordem, lá tem pintura, tem desenho, tem gravura, tem estampa, tem figura, dentro de um livro tem...

Tem desejo, tem vontade, tem projeto, tem trabalho, tem fracasso, tem sucesso, lá dentro de um livro tem...

Quanta gente, quanto sonho, quanto invento, quanta arte, quanta história, Há dentro de um livro.  Ricardo Azevedo.

E aí... O que você pensou?
Falta alguma coisa dentro do seu livro?
Dizem que o ser humano só se realiza por inteiro, quando planta uma árvore, faz um filho, escreve um livro.
Eu estou escrevendo o meu.
E você?  

20 agosto 2017

A casa que a fome mora



Eu de tanto ouvir falar
Dos danos que a fome faz,
Um dia eu saí atrás
Da casa que ela mora.
Passei mais de uma hora
Rodando numa favela
Por gueto, beco e viela,
Mas voltei desanimado,
Aborrecido e cansado.
Sem ter visto o rosto dela.

Vi a cara da miséria
Zombando da humildade,
Vi a mão da caridade
Num gesto de um mendigo
Que dividiu o abrigo,
A cama e o travesseiro,
Com um velho companheiro
Que estava desempregado,
Vi da fome o resultado,
Mas dela nem o roteiro.

Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora,
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe via a cor
Da casa que a fome mora.

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmão dos raios da lua,
Com as costas seminuas
Tatuadas de caliça,
Pedindo um pão de justiça
Do outro lado da rua.

Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela
Dizendo: aqui ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas não vi a boca dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava,
Amolecia e Matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saio
De novo a procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
Ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade,
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pro bolsos dos marajás
E me escondo por trás
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas,
Nunca vão me encontar,
Eu vou continuar
Usando o terno Xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da Burrice de vocês.
 Antônio Francisco de Mossoró”.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...