Mensagem do dia

25 fevereiro 2018

O caminho de volta.


“Já estou voltando”.

Só tenho 67 anos e já estou fazendo o caminho de volta.

Até o ano passado eu ainda estava indo... Indo morar no apartamento mais alto, do prédio mais alto, do bairro mais nobre.

Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!
 Mas, com quase setenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder. Eu imaginei que quando chegasse lá, ia ter uma placa com a palavra "fim".

Antes dela, avistei a placa de "retorno" e, nela mesmo, dei meia volta. Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo).
É longe que só a gota serena!
Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe. Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.

E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo), abre um livro e, pasmem, lê.

E no que alguém diz: "a internet voltou!", já é tarde demais, porque o livro já está melhor que o Facebook, o Instagram e o Snapchat juntos.

Aqui se chama "aldeia" e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar...

Aí eu me lembro da placa "retorno", e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: "retorno – última chance de você salvar sua vida!"
 Você, provavelmente, ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: "Compre um e leve dois".
 
Nós, da banda de cá, esperamos sua visita.
Porque “sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta...”

(Teta Barbosa - jornalista, publicitária e mora no Recife)


14 fevereiro 2018

Depois do carnaval 2018

Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos:
Pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira;
Oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas;
Torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes.
Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.

                                    À chamada realidade.
Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contido.

Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?

Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.

Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos, mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.

Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico.
Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas.
É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos…

Mas, agora que o Carnaval passou que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas…?

E falando de coisas de verdade, Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval…

  “Depois do Carnaval”, texto de Cecília Meireles extraído do livro “Quatro Vozes”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1998, pág. 93.

03 fevereiro 2018

Carnaval 2018

Jamais vou entender este fenômeno chamado, Carnaval. 
Um povo sofrido, roubado, explorado, muitas vezes sem perspectivas, de uma hora pra outra, explode numa alegria sem motivo... Sem limites, sem pudor.

Para os canalhas no poder, adoram esta orgia sem sentido, porque pelo menos por alguns dias, o povo está olhando pro outro lado, enquanto eles continuam sugando cada gota de sangue e cada centavo que puderem roubar.

Homens que até sexta feira, trabalharam de terno e gravata, no sábado vão para as ruas, maquiados, vestidos de mulher, sutien por cima de peitos peludos, braços e pernas cabeludas, numa imitação grotesca e sem sentido do sexo feminino.

Mulheres que se matam em trabalhos, muitas vezes degradantes e mal remuneradas... Sofrem nas filas de hospitais e creches, enfrentam a correria no dia a dia, para dar conta dos afazeres de casa, maridos e filhos de mau humor e estressados, MAS, aparecem na passarela, com o corpo desnudo, coberto de brilho e rebolando, como se não houvesse o amanhã sem lembrar de que o dia seguinte é sempre O dia depois.

As ruas estão tomadas de foliões urrando de alegria... e eu me pergunto:
-VOCÊ ESTÁ ALEGRE PORQUE, OTÁRIO?
Sua vida melhorou de ontem pra hoje?
Seu salário aumentou?
Seu filho entrou numa boa escola?
Se você cair de um trio elétrico e quebrar a cabeça, vão te levar para um bom hospital?
Você terá água em casa, pra tomar banho, quando voltar da gandaia?

Então me explica seu (a) trouxa...
- TA RINDO DE QUE?
Você irá pra rua com esta mesma vontade, pra protestar contra esta roubalheira absurda, que está destruindo a você e ao nosso país?
Por estas e outras que os governantes adoram Carnaval e eu jamais vou entender porque nosso povo é tão alienado.
Texto atribuído ao Arnaldo Jabor.
Mas na verdade partiu de “um seguidor indignado com os últimos acontecimentos do Brasil” .
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Pois é.... independente de qualquer situação que o  o país atravesse,  quer na economia, na política, na questão do estado Brasileiro viver em clima de guerra ,de norte a sul,  na violência urbana, povo sofrendo epidemia de febre amarela, malária, calazar , nada disso  é levado em consideração por conta do CARNAVAL.  
O próprio governo patrocina a alegria do povo, aproveitando a ocasião para agir na calada da noite jogando para debaixo dos tapetes vermelhos os restos podres de suas falcatruas e inmoralidades.  

Ah! o povo?... o povo carnavalesco, os homens travestidos de mulher,  mulheres que colocou os seios amostra para toda a avenida ver, não podem amamentar o seu filho em público, por conta da moral e bons costumes .... Aff...
Ah! esse povo? esse não viu nada. Mas...  no dia seguinte , O grande dia depois...  é hora de reclamar... chorar... lamentar... suplicar... condenar...ouvir falar na inocência do homem mais honesto que o mundo já viu e o país já teve., auxilio- moradia, reforma da previdencia e tudo que envolve e influencia a vida do povo.  

Gente, não esqueçam de que, vocês que caminharam sambando nas avenidas, precisam  continuar  caminhando, batendo panelas, vestindo as cores da bandeira   lutando por um país  justo e digno de se viver. 
Nada de preguiça. 
 E viva o BRASIL. E viva o povo Brasileiro. 

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