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Mensagem do dia

19 janeiro 2018

Quando me tornei ‘mãe’ de meus pais

Um assunto muito polêmico no contexto do envelhecimento diz respeito a inversão de papéis em que filhos se tornam mães e pais de seus pais. Como assim, sermos pais de nossos pais? Que lugar era esse? Que função era essa? O que tínhamos que fazer?
Reconhecer que só vemos a velhice no outro, através das dificuldades ou da finitude, foi o primeiro passo para compreender que o envelhecer está mais próximo do que imaginamos.
Faremos parte dele, de uma forma ou outra, ora como ‘velhos’ que seremos ora como jovens que ainda somos por pouco tempo.
 As primeiras alterações passaram despercebidas, afinal, pensamos que eles serão jovens para sempre.

Um andar vagaroso, dificuldade para encontrar o talher preferido na gaveta ou a camisa velha desbotada no armário ainda não eram vistos como parte do envelhecimento, envelhecimento que, talvez, não fosse o considerado ‘normal’.

Aí, nos deparamos com mais dificuldades, idas consecutivas aos médicos, remédios, repouso, alterações de humor, mais tempo fazendo companhia, ouvindo histórias de quando eram jovens, histórias dos avós, bisavós e outros mais que não deu tempo de conhecer e, aprender as receitas de família que não estão anotadas nos cadernos.

Então, fazemos de tudo para manter a qualidade de vida e a dignidade de quem sempre nos cuidou, amou e protegeu como forma de retribuir o seu imenso sacrifício para sermos o que somos. É isso. Não somos e nem seremos mães e pais de nossos pais, não é inversão de papéis e funções familiares. É troca. É apenas amor, cuidado e respeito encontrando um caminho de volta.

É isso, cuidar de quem nos cuidou com amor e respeito, da mesma forma que fizeram conosco quando éramos pequenos.

Quando compreendo isso, começo a ver o tempo voar, me tirando as oportunidades que eu não aproveitei. Começo a ver o mundo em câmera lenta e aprendo a olhar para os detalhes. Ah, os detalhes. A camisa só é usada se tiver bolsos; as refeições podem ser feitas no sofá da sala porque é mais tranquilo; os passarinhos agitados na árvore é sinal de mudança de tempo. “Corre lá, tira as roupas do varal, vai chover”.

Em todo esse processo, passei pela fase da impaciência de filho para chegar à paciência de cuidadora, sim, cuidadora, e acredito que todos deveriam passar por esse processo de modelação, reestruturação, de empatia, de ressignificação.
Ao longo desse tempo, comecei a perceber que a minha vocação e profissão tinha uma explicação.

Não era o mérito de estudar, pesquisar, escrever ou, auxiliar a quem me procura. Minha vocação, tão delicadamente construída, era para cuidar primeiramente dos meus e poder vivenciar esse processo de perto, para só então, apropriar-me não só da teoria, mas da prática humanizadora e amorosa que a convivência com eles me ensina.

Eu não percebia antes que eles eram a minha chance de aprender. Hoje, sei que tudo é por e para eles e pelos que virão. Não há gratidão maior do que tê-los aqui, por aqui, até quando puderem ficar. “Vamos aproveitar cada momento, temos tão pouco tempo”.

Então, usando as palavras de Bezerra de Menezes, em uma mensagem que foi recebida pelo médium José Carlos de Lucca, e que serve tão bem para a mensagem que quero eternizar, digo:

Filhos queridos: Gostaria de, humildemente, pedir a cada um de vocês:

Um pouco mais de paciência
Um pouco mais de tolerância
Um pouco mais de fé
Um pouco mais de esperança
Um pouco mais de caridade
Um pouco mais de espiritualidade
Um pouco mais de oração
Um pouco mais de esforço
Um pouco mais de perdão
Um pouco mais de amor
Não é muita coisa.
Só um pouco mais.
Porque o pouco com Deus é muito!
Simone de Cássia Freitas Manzaro.

OBS: Me identifiquei muito com esse texto. No momento, também, estou fazendo parte de uma história que começou lá nos anos 30 com o nascimento de uma pessoal que teria ...teve...e terá uma participação especial na vida de todos nós. \\ Atualmente nos seus 87 anos e sem vínculos de parentes mais próximos,  temos como base Cuidar de quem precisa tendo em vista que é uma responsabilidade social na qual todos nós estamos sujeitos e envolvidos.

08 janeiro 2018

O grande encontro

“Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo”.
Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.

Voltar é impossível na existência.
O rio precisa de se arriscar e entrar no oceano.
 
“E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano.”

Osho
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