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12 maio 2016

EU E MEU JALECO BRANCO...

É muito indigesto ouvir comentários do tipo: "Nossa, fez 5 anos de faculdade pra trocar fralda!", ou "Você é bom, porque não faz medicina", ou ver uma novela das 21 tratando os enfermeiros... técnicos de enfermagem como parasitas que nada fazem, além de "enfeitar" o hospital.

Pois bem, sei que muita gente não faz a menor ideia do que ocorre dentro de um hospital, e achei por bem fazer essa espécie de "diário de um enfermeiro, de uma auxiliar/técnica de enfermagem", para que todos entendam como é de fato o nosso dia de trabalho:
Normalmente a equipe acorda às 5 da manhã pra bater ponto às 7 e render os colegas que já estão massacrados após uma jornada cruel de trabalho.

Ao chegar ao setor, seja ele UTI, emergência ou clínica médica a equipe já começa avaliando os pacientes, observando quem está mais grave, fazendo escala de técnicos, conferindo prescrições, checando quem vai pra TC, pra cirurgia, pra ressonância, enfim, o dia já começa a 220 w.
Boa parte dos pacientes de UTI são politraumatizados bem ferrados mesmo, a clínica médica abarrotada de homens e mulheres, idosos com múltiplas úlceras, e a emergência, bem, se você conseguir colocar todos os pacientes em macas, sinta-se vitorioso!

Enfim, durante a manhã você está lá, ajudando nos banhos dos pacientes graves, checando medicações e procedimentos pendentes, levando pacientes para a TC, quando de repente, vem à primeira parada do dia, um vozinho em pós-operatório de AVE hemorrágico, e vira aquele corre corre, e puxa carrinho, prepara adrenalina, mas o vô não aguenta e morre, eis que você prepara o primeiro corpo do dia. Mas você não se abate, outros pacientes da UTI estão graves, e precisam da sua assistência.

É tanto trabalho, que normalmente só conseguimos sentar na hora do almoço, mas, a cirurgiã geral chega na hora e diz "prepara o paciente do leito 1 pra traqueostomia, e fica aí pra me auxiliar", daí, você engole a fome, e vai lá, e seu almoço fica pra mais tarde.

Enquanto isso na pediatria, uma criança com meningite morre, depois de 1 mês de internação, lá fora, estão os pais dela, aos prantos, inconsoláveis por perderem a filha única de 4 meses. Lá dentro, a equipe de enfermagem está engolindo o choro, a frustração, desligando os aparelhos e preparando mais um corpinho.
Gente, vocês não fazem ideia da dor que é lidar com uma morte assim, mas ter de juntar os pedaços pra encarar o resto do plantão, ainda falta umas 20hs de muito trabalho pela frente...

Um andar acima, na clínica médica, a equipe está lá, com uns 50 pacientes, fazendo curativo em úlceras de decúbito desde as 8 da manhã, resolvendo todos os pepinos possíveis e inimagináveis, quando ele senta pra tentar aprazar as prescrições (reparem que já passa das 13hs!), alguém grita lá no fim do corredor "Enfermeiro, os pacientes da enfermaria X estão agitados e arrancaram as sondas", e lá vai o enfermeiro repassar SNE em todo mundo, recalcular tempo de dieta e tal. E a técnica de enfermagem atrás.

Lá pelas 23hs, quando vc pensa que a paz irá reinar, um paciente psiquiátrico tenta levantar sozinho e cai do leito. Ai você corre, mas não tem médico no setor para solicitar Raios-X, e nos viramos-nos 30! Acreditem em mim quando digo, na clínica médica, acontece imprevistos o dia inteiro...
Mas a cereja do bolo está na emergência.
Lá pelas 22hs, só tem 1 médico na emergência, que somente irá atender casos muito graves. O enfermeiro do acolhimento é obrigado a estar na linha de frente para dizer quem vai ou fica, mas o povo não entende, ameaçam de morte e o caramba... E a técnica de enfermagem atrás.

Por volta das 2hs da manhã chegam um paciente usuário de cocaína, em PCR (parada cardiorrespiratória) após overdose, e uma jovem vítima de PAF torácico (para os leigos, levou um tiro no peito). E é aquela correria, massageia, ventila com ambú, médico entuba, leva o baleado pro centro cirúrgico, e notícia triste: "Enfermeiro, não tem ventilador pro rapaz da overdose, já estão todos em uso na sala vermelha", o enfermeiro então, vai mantendo o rapaz em ambú até que outro ventilador chegue no setor, ou consiga a transferência, e isso pode levar horas, o cansaço é avassalador....            Adivinhem onde anda a técnica de enfermagem?


Às 5 da manhã já começam a serem colhidos às rotinas laboratoriais, os balanços hídricos começam a ser fechados e checados, como um bom enfermeiro, você verifica tudo para que não existam pendências de uma equipe para outra.


As 6 da manhã, o menino da overdose, que tinha uns 16 anos, faz uma quarta PCR, e seu coração não resiste, ele vai à óbito.
Às 7hs da manhã, você já passa o plantão visivelmente esgotado. Aí, você junta suas coisinhas e vai pro outro hospital, encarar mais 12hs ou 24hs de plantão, tentar fazer uma graninha extra, porque a rede pública e privada costuma pagar muito mal.

Depois de umas 48hs no ar, você vai pra casa, tentar dormir e curtir um pouco a sua família, porque no dia seguinte, lá estará você novamente, numa longa jornada de trabalho.

Confesso a todos, que mesmo em casa, já cansei de dormir ouvindo bombas e monitores alarmando, é desesperador!
Mas enfim, fazemos parte de uma equipe que sempre disposta a ajudar., escolhemos agir...trabalhar por amor....com amor, não  somos apenas enfermeiros né?!
O único momento em que seremos lembrados, é quando algum colega de profissão tragicamente
administrar vaselina na veia de um paciente, viramos escárnio público pelo erro de UMA pessoa.

Não sei, mas tenho a sensação de que metade das pessoas que criticam, não aguentaria fazer o nosso trabalho por mais que 30 minutos, afinal, para lidar com a dor e a doença alheia, até onde sei, é preciso conhecimento que vai muito além de saber trocar fraldas...

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06 junho 2015

ANJOS SEM ASAS

Discípulas... Seguidoras de Florence Nightingale, mulher corajosa que estabeleceu as bases da enfermagem moderna, nós fomos as pioneiras do curso  técnico de enfermagem no Colégio Estadual Presidente Costa e Silva lá no período de 2009  a 2011.

Iniciamos o primeiro ano letivo divididas em duas turmas de mais ou menos quarenta pessoas,  tendo como justificativa principal a diferença na idade de cada uma. 
Imagine quando fomos obrigadas a unificar as turmas por conta da evasão  escolar.
Foi só alegria...?  Foi mais do que isso....
Do total do alunado, aproximadamente 20 % eram jovens senhoras, inclusive eu já cinquentona, misturada a jovens adultas, algumas adolescentes, mas  dispostas a desvendar a arte do cuidar.

Independente de grau de amadurecimento, visão da vida nos seus mais complexos estágios, choque de opiniões, conflitos de personalidades, os sonhos eram os mesmos...

O foco principal era estarmos  ali reunidas   para criar e aproveitar possibilidades para alcançar o sucesso profissional, sabendo que educação e conhecimento são bases para a formação intelectual de um individuo no sentido de torná-lo apto, despertando o seu talento, preparando a caminhada e aproveitando as oportunidades surgidas ao longo desse percurso.

O sucesso profissional é “Ser a pessoa certa no lugar certo”, seguindo regras da pontualidade, disposição, profissionalismo, empatia, mas quebrando tabus  como o medo e o desanimo.

No lugar certo estará um grande profissional quando a sua escolha for certa o bastante para  agregar valores baseados na educação e no conhecimento,  e isso a turma, as meninas do jaleco branco,   assimilou com grande sabedoria.
                                                       
E também ali estavam pessoas que buscavam  colocar em prática o que estava sendo aprendido em sala de aula e a passos largos buscavam-se oportunidades de alcançar os pensamentos de Florence, baseadas na sua conduta em proporcionar conforto, alivio aos  que precisassem de cuidados, quando percorria e iluminava os corredores escuros a luz de um lampião para melhorar a situação de todos.
Assim ficou famosa, a lenda viva, a dama do lampião.
Decisão difícil aos 24 anos nos anos de 1844.

Embora já com conhecimento na área e grande bagagem  adquirida no curso de  auxiliar de enfermagem (aux. de enf.) realizada no Hospital Santo Antonio (HSA) e exercendo a profissão por vários anos,  busquei agregar novos conhecimentos e procedimentos fazendo parte de uma das turmas por dois anos consecutivos, interrompido por motivos particulares, inclusive o trabalho voluntário com idosos do abrigo São Gabriel localizado no bairro Boa Viagem.
Ufa....dói até em lembrar.

Pois bem, a turma seguiu em frente e hoje tenho noticias de que o sucesso as alcançou e para minha surpresa e felicidade, uma aluna e colega do curso por nome Jackeline, criou um grupo em uma das redes sociais chamado de “Amigas do jaleco branco” (nada mais justo), para  manter viva as lembranças do curso,  tanto quanto os sentimentos de amizade estabelecido no coração  de cada uma de nós.

Grande ideia. Grande colega.
Fica aqui registrado minha admiração,  respeito e  agradecimento pelo carinho e atenção que tiveram para comigo quando juntas e pelo convite para fazer parte do grupo.
 
Florence Nightingale  disse que a enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, que temos que aprender... Conviver,  separando os nossos problemas,  não por indiferença mais por amor ao próximo.
E arte só se faz com amor... por amor.

A minha homenagem a você que faz parte do grupo “ Amigas do jaleco branco”
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17 maio 2015

O MODO ENFERMEIRA DE SER

Técnica  de enfermagem (o) não anda,  DEAMBULA.
Não fuxica,  FAZ ANAMNESE.
Não incha, tem  EDEMA.
Não tem coceira, tem  PRURIDO.
Não se apega,  ESTABELECE VÍNCULOS.
Não fica doente,  MANIFESTA SINAIS/SINTOMAS.
Não conversa,  ESTABELECE COMUNICAÇÃO VERBAL.
Não é legal, é  HUMANIZADA.
Não trabalha,  EXECUTA HABILIDADE COGNITIVA TEÓRICO – PRÁTICA.
Não briga,  DIVERGE COM FUNDAMENTAÇÃO.
Não ouve,   AUSCULTA.
Não beija,  COMPARTILHA MICROBIOTA DA CAVIDADE ORAL.
Não impõe,  EXERCE LIDERANÇA.
Não bebe, faz  INGESTA ETÍLICA.
Não encosta,  CONTAMINA.
Não organiza,  SISTEMATIZA.
Não arrota, apresenta  ERUCTAÇÃO.
Não ampara, oferece  SUPORTE EMOCIONAL.
Não dá remédios,  ADMINISTRA MEDICAÇÕES.
Não joga fora, DESPREZA.
Não usa camisinha, usa  MÉTODO CONTRACEPTIVO DE BARREIRA.
Não limpa com álcool, faz  ANTISSEPSIA ou DESINFECÇÃO.
Não é saudável,  MANTÉM HOMEOSTASIA CORPORAL.
Não trabalha junto, trabalha em  EQUIPE.
Não trata,  CUIDA.

Não gosta do que faz,  AMA !!!
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16 maio 2015

SEMANA DA ENFERMAGEM

O Dia Internacional da Enfermagem, ou Dia Internacional do Enfermeiro passou a ser uma data comemorativa no Brasil no ano de 1938, quando a data foi instituída pelo então presidente Getúlio Vargas, através de decreto-lei.
E tudo começou com Florence Nightingale de nacionalidade inglesa, que nasceu em Florença, na Itália daí o seu nome... Florence.
Aos 17 anos, sendo cristã anglicana, decidiu ser enfermeira, acreditando ter um chamado de Deus para fazer enfermagem.
E foi na guerra da Criméia em que o Reino Unido participou entre 1853 e 1856 que o seu trabalho se tornou mais conhecido e ela foi chamada de "Dama da Lâmpada", instrumento que ela usava durante a noite para ajudar melhor os feridos.
Fundadora da primeira Escola de Enfermagem secular do mundo na Inglaterra, em 1860.

Costumo dizer que A Enfermagem é uma arte;
pois para exercer-la necessário se  faz ter uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor;
pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus?

É uma das artes  mais bela ! A mais bela de todas. Eu sei que é.
A data oficial (12 de maio) é comemorada mundialmente desde 1965. Foi decidida pelo Conselho Internacional de Enfermeiros em 1974, para  mostrar a importância dos enfermeiros e enfermeiras na sociedade.
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