
Comecei
a gostar de mim quando amigos me abandonaram uma vez que minhas prioridades
haviam mudado com a chegada da maturidade, e estas não mais eram convenientes a
eles.
Aprendi a confiar somente no
Sagrado.
Comecei
a gostar de mim quando parei de escutar as mentiras ditas pela minha voz
interior e estas só serviam para massacrar minha autoestima.
Comecei
a gostar de mim quando tomei as rédeas da minha vida, me tornei mais mulher,
mais bonita, autêntica, sincera, sem me preocupar com o que o mundo dita como
regra.
Comecei
a gostar de mim quando senti meu coração disparar de alegria ao assistir as
ondas do mar bater nas pedras, mostrando a grandeza e beleza da criação.
Comecei
a gostar de mim quando me peguei sensível ao perfume das flores. A delicadeza
de suas pétalas me mostrou o quanto à vida é efêmera e preciso viver cada minuto como se fosse o
último. Chega de não florir e
machucar-me com espinhos que eu mesma criei.
Comecei
a gostar de mim quando ouvi Jura Secreta, e chorei convulsivamente.
Eu deveria ter roubado o beijo que tanto
ansiei, deveria ter jurado secretamente e causado a briga que pesava em minha
alma sedenta de afeto.
Comecei
a gostar de mim quando desvendei que o meu amor próprio é indeclinável, só
assim conseguirei compartilhá-lo.
Comecei
a gostar de mim quando em meio aos meus fracassos ouvi a voz de Deus e nela não
havia condenação alguma, só um doce amor me dizendo que poderia recomeçar tudo
de novo quantas vezes fossem necessárias, e que nunca estaria só.

Hoje
gosto mais de mim apenas por mim!
Marta
Ferreira